Painel resistente ao arco interno: Técnicas de redução de energia incidente

O Arco elétrico é um fenômeno indesejado que pode ocorrer em sistemas elétricos de baixa tensão, resultando em altas energias incidentes que podem causar danos significativos a equipamentos e riscos à segurança.
Como já abordamos em nosso conteúdo sobre painéis resistentes ao arco interno e os cuidados que vão além da certificação, medidas de engenharia devem ser adotadas em conjunto para definir a melhor solução para cada aplicação. Clique aqui e confira o conteúdo completo.
Isso porque não existe uma única receita para a proteção contra os efeitos de um arco elétrico: as estratégias devem considerar as características, os riscos e as necessidades específicas de cada instalação.
A principal norma técnica sobre o arco elétrico, e recém publicada, a ABNT NBR 17227 - Arco elétrico - Gerenciamento de risco de energia incidente, precauções e métodos de cálculo, fornece metodologia para implementação de análises de risco de arco elétrico, com a execução de cálculos para a estimativa do valor da energia incidente, a adoção de métodos de proteção adequada tanto para trabalhadores como para a instalação, além de recomendações para a mitigação dos danos causados pela intensidade da energia incidente, durante manobras e trabalhos de manutenção.
A otimização do controle da energia incidente em painéis elétricos, especialmente em relação ao risco de arco elétrico, envolve uma combinação de medidas de projeto, proteção e procedimentos de segurança. As principais técnicas incluem:
1. MEDIDAS DE PROJETO E ENGENHARIA:
a) Estudo de Curto-Circuito e Seletividade - Permite dimensionar corretamente os equipamentos e garantir que apenas o dispositivo de proteção mais próximo da falta atue, minimizando a duração e a extensão do arco elétrico.
b) Sistemas de Aterramento Adequados - Aterramento funcional e eficaz dissipa correntes de defeito de forma controlada, reduzindo o risco de choques por toque e contribuindo para a atuação correta das proteções.
c) Barreiras e Invólucros com certificação IAC - Implementa barreiras físicas e invólucros apropriados para ajudar a conter a energia do arco e a impedir o contato acidental com partes energizadas, sempre em conformidade com as normas construtivas dos painéis de baixa e média tensão.
2. TECNOLOGIAS DE PROTEÇÃO AVANÇADAS:
a) Relés de Proteção detectores de Arco Elétrico (Arc Flash Relays) - Relés que detectam a luz e/ou a corrente (em alguns casos) de um arco elétrico, e que emitem um comando de abertura ultrarrápido para o disjuntor. Isso reduz drasticamente o tempo de duração do arco e, consequentemente, a energia incidente.
b) Sensores Ópticos Pontuais - Instalação de sensores ópticos em pontos estratégicos (barramentos, dispositivos de interrupção, cabos) para detecção rápida e precisa do arco, assim como os relés de arco, atuando em disjuntores, reduzem drasticamente a duração do arco e, consequentemente, a energia incidente.
c) Arc Quenching Devices - A utilização de dispositivos de extinção ultra rápidos de arco reduzem drasticamente o tempo de extinção (à tempos menores que 10ms) pois, acionados por detectores ópticos e/ou de pressão, disparam chaves de aterramento ultra rápidos que extinguem o arco, curtocircuitando à terra o sistema, e disparando as proteções de sobrecorrente mas o arco é “apagado” mitigando os danos e consequências térmicas e mecânicas ao painel.
3. PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS E DE MANUTENÇÃO:
a) Desenergização - Medida de controle mais eficaz é a desenergização completa da instalação elétrica antes de qualquer intervenção.
b) Manutenção Regular - Garante que todos os sistemas de proteção e equipamentos elétricos estão em adequadas condições operacionais, através de manutenção periódica, é crucial para a segurança e eficácia do controle da energia incidente.
A implementação de uma combinação dessas técnicas, preferencialmente iniciada na fase de projeto, contribui para um controle eficaz da energia incidente e um ambiente de trabalho mais seguro, mas sobretudo, protege a integridade dos painéis e processos produtivos. Como diz o ditado ‘tempo é dinheiro’, com danos menores aos painéis, os tempos de parada para reparo são bem menores (MTTR - Mean Time To repair), o que definitivamente contribui para a redução do downtime da instalação, trazendo a desejada confiabilidade.
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